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White Hiden: Histórias Contidas em Rasuras (抹消間に歴史, Howaito Hiden: Masshōkan ni rekishi) é uma história original, cuja narração é dividida entre Gabriel White e Shizuka Hayashi.

Capítulo 1

Um Novo Começo que Não Vai Bem

12 de Setembro de X301

O vento soprou forte.

As árvores se agitaram.

O sol estava escaldante, mas as folhas garantiam que ele não tocasse minha pele diretamente. Embora eu estivesse andando com certa velocidade, a grama sob meus pés não era maltratada pelos meus passos, e isso não tem nada a ver com meu peso ou a força com que eu pisava, nem com meus sapatos, isso era graças à uma técnica simples que é ensinada aos ninjas desde a academia.

Consiste em canalizar um fluxo de chakra na sola dos pés, e isso garante que possamos andar sobre qualquer superfície, sólida ou líquida, horizontal ou vertical.

Estava caminhando faziam quase três horas, quanto mais perto chegava do meu destino, mais a ansiedade tomava conta de meu corpo. Quando vi, por entre as árvores, a cabana há muito abandonada onde costumava brincar quando pequena, não consegui me conter e me pus a correr. O cansaço foi convertido em emoção, faziam mais de dois anos que havia deixado a vila, e agora, estava a apenas trezentos metros dela.

Dez metros era tudo o que me separava do grande portão, mas os idosos da vila sempre diziam que a pressa é inimiga da perfeição, bem... Acho que estavam corretos. Tropecei em uma raiz que estava no caminho, perdi meu equilíbrio e caí. Acabei rolando para dentro da vila e fiquei lá, estirada no chão, em parte pela dor e em parte pela frustração.

"Aaahhh, lá se foi minha entrada triunfal. Que droga."

"Shizuka? Você voltou?"

A pessoa ao meu lado disse em tom de surpresa.

A voz e o rosto estavam levemente diferentes das minhas lembranças, mas não havia como eu não reconhecer essa pessoa. Esse garoto não é ninguém menos que o meu companheiro de time e um dos meus melhores amigos desde a infância, Shiro Doraiaisu. Seus olhos de cor púrpura e seu olhar de arrogância, passavam uma impressão fria que contradizia sua personalidade. Seus cabelos lisos e belos possuíam uma aparência jovem, apesar de sua cor ser completamente branca. Os traços de seu rosto estavam mais masculinos, diferente daquele rosto completamente andrógeno de dois anos atrás.

"Shiro-Kun..."

"Para ser desastrada assim, só você mesma."

Ele disse, me colocando de pé. E lá vem um monte de sermão chato... Ou era o que eu estava esperando.

"Mas chegou bem na hora, preciso de reforços para esta missão aqui, topa?"

Ele puxou um cartaz do bolso e deu um sorriso sincero.

"Francamente! Fazer uma garota tão linda como eu, partir para uma missão assim que acaba de chegar... Esse é o Shiro-Kun que eu conheço."

O provoquei, dando socos em seu braço.

"Bom, se você não quer, então não há jeito. Vou ali ver se o Gabriel quer ir."

"Ei, não faz isso! Espera... Esse cara, ele está mesmo bem, depois de tudo?"

"Melhor do que o esperado, ao menos."

"Então eu vou visitá-lo. Já volto."

"Faz isso na volta."

Ele deu com a mão e começou a andar para fora dos portões.

Sem poder discutir, apenas o segui. Por algum motivo, o Shiro-Kun estava com um olhar muito mais sério do que o habitual, senti que essa missão não era algo simples. Mas estou falando do Shiro-Kun, aquele que ficou em primeiro lugar entre todos da academia. Acho que quando ele disse "reforço", ele quis dizer que é algo que está explícito no pedido de missão, afinal, se existe algo que uma pessoa não pode fazer sozinha, esse demônio é capaz de fazê-lo facilmente.

Lembro quando a segunda fase do exame chūnin foi cancelada, ele "acidentalmente" congelou todos na floresta, ou melhor, toda a floresta. Acabamos tomando uma senhora bronca, mas isso só provou o quão monstruoso ele é.


Andamos até a velha cabana e paramos em frente à porta. Me perguntei porque estávamos naquele lugar tão calmo e inofensivo, até que o Shiro-Kun estendeu o braço em direção à porta e... Senti uma onda de frio e os arredores ficaram cobertos de neve. Uma estaca estava congelada a poucos milímetros do rosto de Shiro-Kun, olhei sua extensão e vi que sua origem era a porta da cabana, voltei a encarar o Shiro-Kun.

"O cliente enviou o pedido para destruir essa cabana, que ataca tudo o que se aproxima dela, como se estivesse viva."

Ele falou, enquanto cutucava a estaca.

"Não é que eu esteja envolvida, mas... Digamos que eu, acidentalmente, conscientemente, coloquei uma "Semente de Rosa" na cabana, para evitar que estranhos entrassem nela."

"É. Eu já imaginava, por isso eu te trouxe aqui."

Ele sorriu e apontou para a cabana.

Teria sido melhor ir direto para casa. Suspirei enquanto pensava nisso.


"Terminei!"

Caí de costas na grama logo após dizer isso.

A Semente de Rosa é um selo especial com o atributo Madeira. Ela se liga à qualquer superfície de madeira e então reage de forma hostil à qualquer presença que esteja próxima. Geralmente essas reações saem em forma de estacas pontiagudas ou de raízes resistentes, para matar ou capturar. Mas parece que nesse último ano, a semente se intensificou muito mais que o esperado, se alastrando para as árvores ao redor... Como se estivesse germinando. Apenas me pergunto como ela aumentou seu alcance assim.

"Bom trabalho. Apesar de ter sido você a causa de todo o problema."

Essas palavras vieram do Shiro-kun, que estava em pé por trás de mim.

"Mas eu resolvi, não resolvi?! Francamente, o que uma linda garota como eu fez para merecer isso?"

"Plantou uma semente de rosa nos arredores da vila."

"Você não ficou nem um pouco mais sensível. Eu levei três horas para fazer isso, podia pelo menos agradecer."

"Foi você que causou tudo isso, por que eu deveria agradecer?"

"Eu estava enganada, você não é nada gentil. Era só isso, não é? Então eu vou embora agora."

Comecei a caminhar em direção à vila. Estou mesmo precisando de um longo descanso, embora deva investigar a semente mais tarde. Não deve ser nada mesmo... Ou era o que eu pensava.

Recuei um passo para evitar a estaca que veio da vertical em minha direção. Vertical? Como essa estaca veio da vertical? Olhei para cima, buscando respostas e me deparei com um grande problema. Se fosse para descrever aquela criatura com apenas uma palavra, seria "golem". Ela tinha aparentemente cinquenta metros, seus braços e pernas eram compostos de várias árvores, suas juntas eram folhagens, seus pés, feitos de raízes, se locomoviam agilmente como tentáculos, seu tronco era feito de terra, grama e galhos, assim como sua cabeça. O chakra que emanava dele era...

"O meu chakra? Como?"

A única resposta que tive foi uma enxurrada de ataques saindo a partir da estaca em minha frente. Talvez seja outro usuário de liberação de madeira, será que alguém aprendeu enquanto eu estava fora? Não, se fosse isso, o golem não emanaria meu chakra, deve ser algum método. A única coisa que me veem à mente é que a área ao redor da cabana assimilou o meu chakra, mas isso não faz muito sentido, pois ela se organizou em forma de um golem, e o Shiro-Kun a teria congelado em menos de um segundo. E também por estar me atacando, não importa o quão violenta a semente seja, a natureza dela nunca foi ofensiva, então não faria sentido esse golem me atacar. Com isso, concluí que definitivamente não era outra semente, mas o problema ainda não havia acabado.

Eu continuava a desviar, porém cada galho se dividia em outros galhos, e essas subdivisões de dividiam ainda mais. Quando pude perceber, estava cercada por eles, envolta em uma cela de galhos. Assim que me viu presa, o golem começou a desmoronar e...

"Finalmente nos encontramos, Shizuka Hayashi, a abençoada."

... Quem disse isso foi um ser que surgiu dos escombros. Sua aparência me era desconhecida por causa que seu corpo estava encoberto por uma capa branca, tudo que eu pude ver foi uma cicatriz em uma das mãos, que havia escapado para fora da capa, a cicatriz era longa e fina, como se algo afiado perfurasse sua mão e subisse pelo antebraço, ou o contrário. Eu definitivamente conheço essa pessoa, não consigo me lembrar, mas definitivamente já me encontrei com ela. Ela caminhou lentamente em minha direção e parou à alguns metros de mim.

"Eu estava aguardando seu retorno. Neste momento não deve se lembrar de mim, mas isso é algo bom, por enquanto."

"Você... Quem é você? E como fez isso?"

"Não podemos conversar muito agora, infelizmente. Preciso apenas pegar algo e ir embora."

"Hã? Não sei o que você quer, mas não tenho nada para lhe dar."

Antes que eu terminasse minha frase, este sujeito já estava segurando um pergaminho em sua mão. Ele estava aberto e parte dele estava no chão. Quando encarei o pergaminho, as letras nele contidas começaram a brilhar. No mesmo momento, senti que minhas forças estavam deixando meu corpo, fiquei tonta, minha visão começou a escurecer e perdi meu equilíbrio.

Vi aquele sujeito enrolar o pergaminho enquanto me fitava, minha espinha gelou e minha visão escureceu completamente, estava prestes a desmaiar mas não podia me permitir a perder fácil assim, foi quando uma kunai atravessou o pergaminho e ele fez uma cara de desgosto, me senti aliviada e perdi as forças, junto com a consciência.


Estava correndo na margem de um belo rio.

Ao longe vi meus amigos acenando para mim, parece que estávamos no meio de uma brincadeira.

Ao meu lado, havia um garoto, ele sorria enquanto olhava para mim e continuava a correr. Seu rosto parece tão familiar, mas... Quem é esse garoto?


Acordei numa cama de hospital, o brilho que estava passando pela janela tinha um tom avermelhado, indicando que o sol está se pondo. Eu cheguei na vila mais ou menos às onze da manhã, isso quer dizer que eu passei aproximadamente seis horas em coma. Meu corpo ainda está trêmulo, sinto como se toda fadiga que já senti, retornasse de uma vez. Como eu vim parar aqui? Lembro daquela pessoa ter sugado meu chakra e de desmaiar, mas só disso.

"Ah! Finalmente acordou."

Um garoto que tinha acabado de entrar no quarto disse enquanto caminhava em minha direção.

"G-Gabriel..."

Tentei falar, mas meu corpo ainda estava trêmulo.

"O Shiro foi quem te trouxe até aqui, você tinha perdido todo o chakra e desmaiado no chão, ele também disse que tinham muitos galhos e árvores espalhados pelo local. Você acabou de chegar e já arrumou briga com alguém?"

Ele sentou em posição invertida numa cadeira e me fez essa pergunta.

"E-Eu não lembro direito o que aconteceu, alguém me prendeu e usou um pergaminho em mim, é tudo que eu sei."

Por sinal, esta pessoa com quem estou conversando é Gabriel White, ele é outro companheiro de time e amigo de infância. Ele é um pouco mais alto que o Shiro, possui cabelos compridos desgrenhados e olhos igualmente negros. Seu rosto possui traços finos que acentuam suas expressões, o que faz com que seu sorriso normalmente me faça sorrir também.


* * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

"Entendi, bom... Vejo isso depois. Mas falando sinceramente, uma pessoa normal ficaria em coma por no mínimo cinco dias se tivesse todo seu chakra sugado, você acordou em seis horas. O que você é? Um monstro?"

Eu disse isso para a garota em minha frente, Shizuka Hayashi. Ela ficou em coma desde que chegou à vila, seis horas atrás. Sua aparência é de uma garota de estatura média. Seus olhos são de cor verde-esmeralda, e ela possui longos cabelos de cor castanha que vão até sua cintura, geralmente faz duas tranças em seu cabelo e as decora com flores. Ela mesma produz essas flores, e mantém um fluxo de chakra constante com as flores para que não murchem.

"Fufufufufu... Você ainda não viu nada. Eu não fiquei treinando um ano inteiro para nada."

Ela levantou da cama e cambaleou um pouco antes de se estabilizar, ao que parece, ela ainda não se recuperou totalmente.

"Eu fiquei lutando com o Shiro esses meses. Mas é como eu digo: Nada como meu rival, para me afiar."

"Que eu lembre, durante o exame, você quase morreu para vencer do Shiro-Kun. E isso porque tinha uma habilidade na manga."

"Bem, estamos empatados. Então não foi só de surpresa!"

"Geez... Eu só acredito vendo."

"Tá, então depois eu te mostro!"

Essa garota ainda duvida de minha capacidade, mesmo depois de eu tê-la salvo várias vezes! Bom, é o esperado, já que eu não tenho a capacidade de transformar meu chakra, algo que até um iniciante consegue fazer com pouca ou nenhuma dificuldade.

Me levantei e fui em direção à porta do quarto, mesmo que ela tenha esse vigor absurdo, descanso ainda é necessário. Ao sair no corredor, me deparei com Shiro encostado na parede.

"Não quer entrar para tomar uma xícara de café?" Perguntei em zombaria.

"O assunto que quero discutir é com você, e não ela." Ignorando completamente minha brincadeira, ele assumiu um tom sério. "Você já deve ter percebido que o que ocorreu foi mais do que uma simples briguinha."

"Sim, a quantidade de chakra que ela possui, é o mesmo que um esquadrão de elite completo. Se isso cai em mãos erradas... O resultado seria catastrófico."

Para quem ainda não sabe, um esquadrão é formado por oito divisões, que são formadas por oito pessoas cada. Sendo assim, um esquadrão possui sessenta e quatro membros, já um esquadrão de elite, possui sessenta e quatro membros de elite. Um ninja de elite possui a força de aproximadamente vinte ninjas. Concluímos que o chakra da Shizuka é o mesmo que o chakra de mil duzentos e oitenta ninjas.

"Se você quer saber, tem algo a mais por trás disso." Ele jogou um pedaço de madeira na minha direção e logo foi embora.

Peguei o pedaço de madeira e o encarei, definitivamente foi feito pela Shizuka, mas, e daí? Não tinha absolutamente nada de incomum nele, definitavamente lixo, mas como gosto de preservar ambientes limpos, decidi guardá-lo no bolso.

Claro, jogue o lixo no lixo, como você é engraçado, Shiro. Meus pensamentos ecoaram pelo corredor limpo e estreito que estava brilhando vermelho devido à luz do crepúsculo que entrava por uma única janela localizada no final do corredor, em frente à porta do quarto da Shizuka. Parei por dois segundos para admirar a cena e logo esbocei um sorriso.

"O time está reunido novamente... Que mal pode haver nisso?" Parti para o exterior deixando apenas minha voz ecoando em um corredor vazio com uma janela aberta.

Capítulo 2

Um Reflexo Embaçado pelo Gelo

Espera, aberta? Essa janela não deveria estar... Percebi que era tarde demais quando escutei um estrondo vindo do quarto da Shizuka.

Me virei e dei de cara com um rosto gigante de madeira me encarando de volta, instintivamente recuei alguns passos, não pelo monstro, ou melhor, golem de madeira que me encarava, e sim pela pessoa no topo, cujo olhar era penetrante e carregado de ódio e desprezo. Essa hesitação desapareceu, não, forcei-a a desaparecer assim que vi uma inconsciente Shizuka sendo levada.

"SHIZUKAAAAAAAAAAA!" Gritei enquanto me lançava à corrida, algo inútil, já que aquele homem... Não, aquele que um dia já foi um amigo simplesmente pulou e desapareceu junto com a Shizuka, deixando apenas um eu desamparado contra um imenso golem.


* * * * * * * * * * * * * * * * * * * *


13 de setembro de X301

Acordei em uma sala desconhecida, senti um grande cansaço percorrendo todo meu corpo logo após acordar, quando consegui me acostumar com isso, comecei a sentir algo gelado entorno de meus pulsos e tornozelos. Argolas de aço conectadas às paredes por meio de correntes de metal me mantinham suspensa de uma forma desconfortável. As dimensões dessa sala, se posso mesmo assim chamar, estavam entorno de oito por seis metros e quatro de altura. Relativamente espaçosa, porém estava preenchida apenas por mim, acorrentada em uma das paredes, por uma espécie de caixão e vários equipamentos de laboratório. Suas paredes, piso e até mesmo o teto eram feitos de um mármore tão branco e puro que fazia eu me perder no meu próprio senso de profundidade, a iluminação também não parecia estar vindo de algum lugar em específico, e sim como se estivesse sendo radiado do próprio mármore, as sombras também não existiam nesse espaço.

Tentei contorcer meu corpo de forma brusca, um esforço inútil já que estou presa por correntes de metal. Então forcei uma grande quantidade de chakra pelas correntes e... O metal começou a oxidar rapidamente, se partindo ao menor dos meus toques. Agora livre, podia pensar em uma forma de escapar. Não havia uma porta visível mas com certeza havia uma entrada e, consequentemente, uma saída.

Depois de explorar toda a sala, concluí que não havia nenhuma porta oculta ou que pudesse ser aberta por dentro, a não ser... Aquele caixão.

Me aproximei suavemente, tomando cuidado para que meus passos não ecoassem pela sala. Puxei a porta do caixão uma vez, estava completamente emperrada, como se não movesse um centímetro a décadas. Embuí chakra na madeira e a puxei novamente, desta vez ela se moveu com um longo rangido, tornando meu esforço anterior em algo inútil. Quando a porta se abriu totalmente, me deparei com uma figura me fitando de dentro do caixão, recuei alguns passos por instinto.

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